Foi um rodopio de sensações, uma mistura de cheiros e sabores, uma ansiedade repleta de tristezas... È demasiado irónico dizer que foi o ano em que perdi, sem dúvida, as coisas mais importantes que tenho porque tudo foi vago, distante e abrutalhado por tudo. Tudo o que podia ser bom, correu mal.
Quando se começa a mexer nas memórias já arrumadas nos subúrbios do vazio que preenche a minha cabeça, começo-me a aperceber que, afinal, foi um mau ano. Aqueles sentimentos ruins, aquelas fraquezas que pensavamos estarem escondidas, as mãos que não se cruzaram, a chegada sem recepção...a porta que não abri mais e os telefonemas que deixaram de existir. Aqueles fins de noite, mal-dormidas, só para estarmos mais perto, os encontros que não aconteceram, as promesas perdidas nas vielas da nossa cidade, os sorrisos trocados por lágrimas.
Só queria morrer e renascer e apagar da minha memória os teus passos, a tua cor, a tua voz, a tua imagem. Sem dúvida, seria muito mais feliz.
amo-te